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MAIS RESPEITO, MENOS PRECONCEITO

04/11/2019

MAIS RESPEITO, MENOS PRECONCEITO

Atuar no desenvolvimento da conscientização histórica e social das novas gerações é uma das responsabilidades da escola, que pode ser compartilhada com a família. Nesse cenário, é importante perceber que o trabalho educacional sobre o senso ético do indivíduo, assim como a construção de um cidadão antenado e participativo, tem ainda mais chances de ser frutífero por meio de diferentes abordagens sobre datas marcantes ou comemorativas. O Dia Nacional da Consciência Negra é uma delas.

Além de ser um tema histórico complexo e extremamente atual, trata-se também de um assunto pontual para o diálogo com os alunos sobre a conceituação de raça, preconceito e desigualdade. Em 20 de novembro de 1695, Zumbi dos Palmares, liderança negra que lutou contra a escravidão, foi assassinado durante um conflito entre colonos e quilombolas, na região hoje conhecida como Serra da Barriga, em Alagoas.

O “Dia Nacional da Consciência Negra”, incentiva, de um lado, a consciência histórica de uma sociedade que vivenciou longamente a escravidão e, de outro, a reflexão sobre o impacto da cultura e da presença do povo africano na formação da cultura brasileira.

O trabalho de conscientização sobre raças e etnias depende de um olhar cuidadoso de toda sociedade. É importante, antes de tudo, que a população esteja devidamente informada sobre a importância do respeito às diferenças e a aceitação da diversidade. Afinal, o Brasil foi o país que mais recebeu escravos no mundo e foi também o último a abolir a escravidão, e esses dois dados históricos contribuem para configuração socioeconômica e cultural atual de nosso país e ajudam a explicar os processos de discriminação e marginalização de grande parte da nossa população.

A reflexão cuidadosa sobre valores humanos e sociais dentro e fora da sala de aula pode ser muito impactante e significativa. Todos sabemos que tanto professores como pais e familiares são importantes referências para os alunos e a maneira respeitosa como abordam um tema, inclusive por meio de uma linguagem mais amigável e acessível, é fundamental para o entendimento e assimilação de conhecimentos pelas crianças e jovens.

É interessante observar que essa abordagem pautada em fontes históricas permite que eles desenvolvam um olhar crítico e autônomo sobre diversos acontecimentos sociais e que se posicionem como cidadãos do mundo diante das diferenças e dos privilégios sociais. Confrontar atitudes racistas e preconceituosas a partir da informação, do conhecimento e do diálogo deixou de ser um “tabu” e passou a ser um tópico extremamente importante para a construção de um pensamento social, em que as diferenças são respeitadas.

O mês de novembro chegou e com ele, a chance de renovarmos nossas atitudes e pensamentos. Zumbi dos Palmares morreu nos deixando um legado não só de luta e resistência, mas principalmente, de mais respeito e menos preconceito.

 

Por: Ana Caroline Assis
Redatora