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ORDEM, PROGRESSO E EDUCAÇÃO

01/04/2021

ORDEM, PROGRESSO E EDUCAÇÃO

Em meio à pandemia do novo Coronavírus e à crise institucional entre os Poderes da República, o Brasil completa em 22 de abril, 521 anos da chegada dos portugueses, marcando o início da colonização europeia no país. Após 198 anos da independência, as marcas do período colonial ainda se fazem presentes na sociedade brasileira. A jovem democracia brasileira, se considerado o período da redemocratização a partir de 1985, ainda sofre ataques as suas instituições, como as recentes manifestações a favor do fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). O sentimento de distanciamento das pessoas da política e dos órgãos democráticos tem como base o processo de independência do país.

Dom Pedro I, ao proclamar a independência, era filho e príncipe herdeiro do rei de Portugal. Já o início da República, também foi um movimento construído pela elite, formado por filhos e descendentes de portugueses. Ainda que tenha havido conflitos armados no processo de democratização e independência, o Brasil novamente não teve uma mudança radical que pudesse ser percebida pela sociedade brasileira que não pertencia às elites. Outra herança do período colonial, é o autoritarismo e uso da força para garantir nas ruas do nosso país, o lema “ordem e progresso”. A legitimação da República recém instaurada teve como ápice a inscrição do lema “Ordem e Progresso” na bandeira nacional. Representavam-se, assim, os ideais republicanos, que tinham como intuito primordial promover a ordenação e o desenvolvimento do país, buscando escapar do atraso representado pelo extinto governo imperial.

Porém, para se ter progresso, é preciso ter ordem, para termos ambos, é preciso educação. Todos devem concordar que a educação é um instrumento libertador do indivíduo, como já dizia Paulo Freire, “apenas uma educação de qualidade pode gerar igualdade em uma sociedade”. Só a educação pode fazer a diferença entre os seres humanos desaparecer progressivamente. O Brasil pode ser o “país do futuro” idealizado nas letras de Renato Russo, basta apenas, a população se conscientizar que estamos todos no mesmo lado.