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TEMPO DE ESPERANÇA

02/12/2019

TEMPO DE ESPERANÇA

De acordo com o dicionário da língua portuguesa, “esperança” é a confiança de que algo bom vai acontecer ou a espera baseada no desejo de que algo bom tornar-se-á realidade. O certo é que durante muito tempo a esperança foi debatida por pensadores, filósofos, poetas, políticos e tantos outros que veem nesta, ora uma virtude ora uma desculpa para a fuga da realidade.

Quando falamos de esperança, tratamos, indiscutivelmente, de valores que, para muitos, são essenciais, na medida é através destes sentimentos que encontramos sentido para a realização de sonhos, de utopias. A esperança, portanto, é um ponto de partida, uma busca por algo que acreditamos ser possível alcançar, e quando isto deixa de existir, morrem-se os sonhos e, consequentemente, surge a infelicidade. A esperança, antes de tudo, é elemento que impulsiona a nossa vontade construtora, uma arma poderosa para enfrentarmos as dificuldades, e um caminho para chegar a determinado fim. Assim, quando deixamos de ter esperança, passamos a não mais acreditar e a aceitar pacificamente a realidade que nos é imposta, deixando de sonhar para vivenciar uma vida estática, sem movimentação.

É exatamente em razão deste caráter transformador, que a esperança é tão maltratada pelos conservadores. Vocês já notaram que todas as vezes que alguém vai atacar uma ação transformadora apela para sermos realistas? Para deixarmos de ter esperança mais amplas? Ocorre que uma das primeiras formas de estabelecer a dominação sobre uma pessoa, uma comunidade ou um povo, é destruir com os seus sonhos. Limitá-los à uma realidade que não pode ser rompida. Colocar barreiras, redomas, paredes. Pois o fim da esperança é o início do sucesso de medidas de restrição. O fim da esperança é a mola propulsora das ditaduras.

Se o fim da esperança também é o fim dos sonhos, das utopias ou, até mesmo, do medo de que as coisas não ocorram da melhor forma, então a esperança é essencial. É por isto, que quando pensamos na construção de um futuro onde as pessoas sejam mais felizes, nós devemos assumir a nossa radicalidade, e sair por aí, permanentemente, semeando a esperança onde esta, se fizer necessária. A esperança é o que impulsiona. É quem dá vigor aos educadores. É ela que brilha nos olhos dos entusiastas. Sem esperança e sem fé não se educa. E sem educação não se constrói valor e sem valor não há vida. E a vida, por si, já é grande e de principal valor. Da escolha que cada um faz na vida, dos valores que escolhe viver, pode resultar uma existência melhor para si e para todos.

Deste modo cada um de nós pode ser portador e transmissor de vida e esperança ou de morte e destruição. Esta é uma escolha que deve ser assumida como responsabilidade diante da vida. Cada um de nós deixa aos poucos, uma herança para a humanidade e a cada ano que se inicia, a esperança precisa ser uma delas.

Afinal, como disse Aristóteles: no fundo de um buraco ou de um poço, acontece descrobrir-se as estrelas.

 

Por: Ana Caroline Assis
Redatora